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Classificação, inspeções, segurança e acidente: o tema técnico

Atualizado em 25 de outubro de 2026

Este é o tema técnico do exame: classificação dos veículos, constituintes mecânicos, inspeções, pesos e dimensões, ambiente, equipamentos de segurança e o que fazer num acidente. Parece matéria decorativa (e em parte é), mas cai de forma previsível: as perguntas repetem um conjunto pequeno de factos concretos. Quem os sabe de cor, responde em segundos; quem hesita, cai nas variantes em que só muda uma palavra.

Classificação: onde acaba o ligeiro e começa o pesado

A fronteira que o exame testa vezes sem conta é a do automóvel ligeiro:

  • peso bruto até 3500 kg;
  • lotação até nove lugares, incluindo o condutor.

Acima de qualquer destes valores, o automóvel é pesado. Dentro de cada grupo, a classificação divide-se ainda pela utilização: passageiros ou mercadorias, conforme o veículo se destine a transportar pessoas ou carga. Convém também distinguir dois pesos que os enunciados adoram misturar: a tara é o peso do próprio veículo, sem carga nem ocupantes; o peso bruto é o máximo autorizado, tara mais a carga e os passageiros que o veículo pode levar.

Ligeiro ou pesado? Dois limites

Peso bruto: até 3500 kg

Peso bruto igual a tara mais carga e ocupantesUma barra com a tara e, a seguir, a carga e os ocupantes. As duas juntas formam o peso bruto, que fica antes da linha do limite de 3500 kg.Peso brutoTaraCarga eocupanteslimite: 3500 kgveículo vazio

Lotação: até 9 lugares, com o condutor

Nove lugares, incluindo o do condutorVista de cima de uma carrinha com nove lugares numerados de 1 a 9; o lugar 1 é o do condutor, atrás do volante. Um 10.º lugar, a tracejado, já faria dela um pesado.12345678910
  1. O lugar 1 é o do condutor: também conta.
  2. Um 10.º lugar já faz do automóvel um pesado.

Basta exceder um dos limites para ser pesado

  • 3500 kg · 9 lugaresno limite dos dois, ainda é ligeiroLigeiro
  • 3600 kg · 5 lugaresexcede o pesoPesado
  • 3000 kg · 10 lugaresexcede a lotaçãoPesado
Um automóvel é ligeiro se o peso bruto não passar dos 3500 kg e se a lotação não passar dos 9 lugares, contando com o do condutor. O peso bruto é a tara (o veículo vazio) mais a carga e os ocupantes que pode levar. Basta exceder um dos dois limites para ser pesado.

A armadilha clássica está na lotação: são nove lugares incluindo o condutor, as respostas erradas dizem «nove além do condutor». E lembra-te de que basta exceder um dos dois critérios (peso ou lotação) para o veículo passar a pesado.

Constituintes: a mecânica que interessa ao examinador

Não precisas de ser mecânico, mas precisas de perceber para que serve cada órgão e o que acontece quando falha. Os que aparecem nas perguntas são sempre os mesmos: o sistema de travagem, a direção, a suspensão, os pneus e a iluminação. A ideia de fundo é uma só: o estado mecânico do veículo influencia diretamente a segurança, e a manutenção preventiva (verificar antes de a avaria acontecer) é sempre a resposta sensata.

Os pneus merecem atenção especial, porque são o único ponto de contacto com a estrada:

  • a pressão verifica-se com os pneus frios e segundo as indicações do fabricante;
  • a profundidade mínima legal dos sulcos do piso é de 1,6 mm;
  • um desgaste irregular denuncia problemas na direção, na suspensão ou na pressão, não se resolve só trocando o pneu.

Sulcos do pneu: o mínimo é 1,6 mm

Profundidade dos sulcos: novo, no limite e gastoPneu novo com sulcos fundos, pneu com sulcos de 1,6 mm à altura da linha do limite, e pneu gasto com sulcos abaixo da linha.Novo1,6 mmGasto
  1. Novo: sulcos fundos, que escoam bem a água.
  2. 1,6 mm: a profundidade mínima legal. Está na hora de trocar.
  3. Gasto: abaixo de 1,6 mm é ilegal, e o pneu agarra muito pior no molhado.
Três cortes do piso de um pneu. A linha tracejada marca a profundidade mínima legal dos sulcos, 1,6 mm. O pneu novo tem sulcos bem acima dela; o do meio está exatamente no limite; o gasto já ficou abaixo e não pode circular.

Manutenção e avarias: avisadores, travões e mudar uma roda

Os avisadores do painel são o carro a falar contigo, e a cor diz-te, em regra, a urgência:

  • vermelho: problema grave ou perigoso, como a pressão do óleo, a temperatura do motor, os travões ou a carga da bateria. Paras logo que o possas fazer em segurança e consultas o manual ou pedes assistência;
  • amarelo ou laranja: uma anomalia a verificar em breve, como o ABS, o motor ou a pressão dos pneus. Podes seguir com cuidado, mas mandas ver o problema logo que possível (com o aviso da pressão dos pneus, verificas os pneus na primeira oportunidade: pode ser um furo);
  • verde ou azul: só informação, como as luzes que tens acesas (o azul costuma ser o dos máximos).

Os travões são um dos constituintes mais importantes da segurança ativa. Um pedal mole ou que vai ao fundo, ou o avisador dos travões aceso, obrigam-te a parar logo que o possas fazer em segurança e a pedir assistência; um carro que puxa para um lado ao travar tem de ir à oficina. Numa descida longa, não vais sempre com o pé no travão: engrenas uma mudança mais baixa e deixas o motor ajudar a segurar o carro, para os travões não aquecerem e perderem eficácia.

O ABS impede que as rodas bloqueiem numa travagem forte, e é isso que te deixa continuar a desviar com o volante enquanto travas. Numa emergência, carregas a fundo e manténs o pé, mesmo que sintas o pedal a vibrar: é o sistema a trabalhar. Mas o ABS não faz milagres: a distância de travagem continua a depender da velocidade e da aderência.

Um furo resolve-se primeiro com segurança e só depois com a chave de rodas. Tiras o carro da faixa de rodagem ou encostas o mais possível à direita, ligas as luzes avisadoras de perigo (os quatro piscas), vestes o colete, colocas o triângulo e mandas os passageiros para fora da faixa (arts. 87.º e 88.º). Depois, com o travão de mão puxado e uma mudança engrenada:

  1. desapertas um pouco as porcas com a roda ainda no chão;
  2. levantas o carro com o macaco no ponto de apoio indicado pelo fabricante;
  3. trocas a roda e apertas as porcas em cruz;
  4. baixas o carro e dás o aperto final, sempre em cruz.

No fim, confirmas a pressão do pneu sobresselente e, se for uma roda de recurso mais estreita, respeitas a velocidade máxima que traz marcada. Reparar o carro na via pública só é permitido quando é indispensável para o retirar dali ou, numa avaria de fácil reparação, para poderes seguir viagem (art. 87.º, n.º 4).

Inspeções periódicas: o calendário que tens de decorar

Para um ligeiro de passageiros particular, o calendário das inspeções periódicas obrigatórias é um dos factos mais perguntados de todo o tema:

  • primeira inspeção quatro anos após a data da primeira matrícula;
  • depois, de dois em dois anos, até o veículo completar oito anos;
  • a partir dos oito anos, todos os anos.

Inspeções do ligeiro particular: 4 → 2 em 2 → anual

Calendário de inspeções do ligeiro de passageiros particularInspeções aos 4, 6 e 8 anos após a primeira matrícula e, a partir daí, todos os anos: 9, 10, 11, 12 e seguintes.Ligeiro de passageiros particular1.ª aos 4 anosde 2 em 2 anostodos os anos0123456789101112
ano com inspeçãoano sem inspeçãoAnos contados desde a 1.ª matrícula (0).
Ligeiro de passageiros particular
Inspeções aos 4, 6 e 8 anos; a partir daí, todos os anos (9, 10, 11, 12…).
Os primeiros 12 anos de um ligeiro de passageiros particular, contados desde a primeira matrícula. Primeira inspeção aos 4 anos; depois aos 6 e aos 8 (de dois em dois anos); a partir dos 8 anos, todos os anos.

As perguntas baralham de propósito os três prazos, «quatro», «dois» e «anual» trocados entre si. Fixa a sequência 4 → 2 em 2 → anual a partir dos 8 anos e repara que o enunciado se refere a ligeiros de passageiros particulares: outras categorias e utilizações têm calendários diferentes. Um ligeiro de mercadorias, por exemplo, vai à primeira inspeção aos 2 anos e depois todos os anos.

Pesos, dimensões e carga

Aqui o exame raramente pede números, pede a consequência. Um veículo com excesso de carga trava pior, ganha distância de travagem e perde estabilidade na curva; uma carga mal distribuída ou mal amarrada altera o comportamento do veículo e pode cair na via. Por isso a regra é que a carga deve estar bem acondicionada, sem arrastar, sem comprometer a visibilidade do condutor nem a estabilidade do veículo, e devidamente sinalizada quando é saliente. Se o enunciado descreve carga a tapar os espelhos, solta ou a exceder o peso bruto, a resposta certa é sempre a que corrige o problema antes de circular.

Sinais de pesos e dimensões

O valor vem inscrito em cada sinal: compara-o com o do teu veículo, contando com a carga.

Segurança ativa e segurança passiva

Esta distinção vale muitos pontos e resolve-se com uma pergunta simples: este equipamento ajuda a evitar o acidente ou a reduzir as consequências?

  • Segurança ativa, evita o acidente: travões, direção, pneus, suspensão, iluminação;
  • Segurança passiva, reduz as consequências quando o acidente acontece: cinto de segurança, airbag, apoios de cabeça, estrutura da carroçaria.

Um detalhe que os candidatos ignoram: o apoio de cabeça só protege do traumatismo cervical se estiver bem regulado, ao nível da cabeça, não do pescoço. E o cinto é para todos os ocupantes, à frente e atrás.

Põe a distinção à prova: classifica cada equipamento, um de cada vez.

Ativa ou passiva?

Para cada equipamento: ajuda a evitar o acidente (ativa) ou reduz as consequências quando ele acontece (passiva)?

  1. Cinto de segurança: por responder
  2. Travões: por responder
  3. Airbag: por responder
  4. Pneus: por responder
  5. Apoio de cabeça: por responder
  6. Direção: por responder
  7. Estrutura da carroçaria: por responder
  8. Iluminação: por responder
  9. Suspensão: por responder

1 de 9

Cinto de segurança

Pergunta-te: este equipamento atua antes do acidente ou durante o choque?

O airbag é um elemento de segurança passiva, mas não é obrigatório por lei em todos os ligeiros, e nunca substitui o cinto, foi concebido para funcionar em conjunto com ele. O cinto de segurança, esse sim, é de uso obrigatório.

Avaria e acidente: colete, triângulo e os três passos

Se o veículo fica imobilizado na via, a sequência é sempre a mesma: liga as luzes avisadoras de perigo (os «quatro piscas»), veste o colete retrorrefletor antes de saíres do veículo e coloca o triângulo de pré-sinalização a pelo menos 30 metros do veículo, de forma a ser visível a uma distância mínima de 100 metros pelos condutores que se aproximam.

Onde pôr o triângulo: 30 m atrás, visível a 100 m

Triângulo de pré-sinalização a 30 metros do carro avariadoCarro avariado na berma com os quatro piscas. Trinta metros atrás, o triângulo. Cem metros antes do triângulo, um carro que se aproxima e o consegue ver. Uma pessoa com colete refletor está na berma.
  1. O triângulo fica a pelo menos 30 m da retaguarda do veículo, perpendicular à via (art. 88.º, n.º 3).
  2. Tem de ficar bem visível a pelo menos 100 m por quem se aproxima, com especial atenção nos locais de visibilidade reduzida (art. 88.º, n.º 3).
  3. Quem coloca o triângulo, repara ou remove o veículo usa o colete retrorrefletor (art. 88.º, n.º 4).
Vista de cima. O teu carro (verde) está imobilizado na berma, com os quatro piscas ligados. O triângulo fica na tua retaguarda, a pelo menos 30 metros do carro, e tem de ser visível a pelo menos 100 metros pelo carro azul que se aproxima. Quem o coloca leva o colete retrorrefletor vestido.

Perante um acidente com feridos, a ordem de atuação tem três passos, sempre pela mesma ordem:

Perante um acidente com feridos: três passos, por esta ordem

  1. 1. Proteger

    Proteger o local, para evitar novos acidentes;

  2. 2. Alertar

    Alertar os meios de socorro pelo 112;

  3. 3. Socorrer

    Socorrer as vítimas, sem as mover, salvo perigo iminente (incêndio, risco de novo atropelamento), sem lhes dar de beber e sem retirar o capacete a um motociclista ferido.

Primeiro proteges o local, depois alertas o 112 e só então socorres as vítimas. Socorrer antes de proteger e alertar é a resposta errada que o exame te põe à frente.

Dois pares de números que as perguntas trocam entre si: o triângulo fica a 30 metros do veículo e tem de ser visível a 100 metros, não ao contrário. E desconfia de qualquer resposta que mande socorrer antes de proteger e alertar: a ordem dos três passos também é matéria de exame.

Depois de um acidente em que intervenhas, a lei pede-te ainda duas coisas: dás aos outros intervenientes a tua identificação, a do proprietário do veículo e a da seguradora, com o número da apólice, e mostras os documentos se te pedirem (art. 89.º, n.º 1); e, se houver mortos ou feridos, aguardas no local a chegada da autoridade (art. 89.º, n.º 2). Abandonar o local nessas circunstâncias é contraordenação muito grave (art. 146.º, q)).

Proteção do ambiente: a lógica que responde a quase tudo

As perguntas de ambiente resolvem-se quase todas com o mesmo raciocínio: menos consumo = menos emissões. Tudo o que suaviza e antecipa reduz o impacto ambiental:

  • condução regular, sem acelerações nem travagens bruscas, antecipando o trânsito;
  • manutenção em dia, um motor mal afinado consome e polui mais;
  • pneus à pressão correta, pressão a menos aumenta o consumo e o desgaste;
  • sem peso desnecessário a bordo, e com o motor desligado em paragens prolongadas.

Se uma opção descreve condução agressiva, veículo mal mantido ou carga inútil, está errada do ponto de vista ambiental, e quase sempre também do ponto de vista da segurança.

Trata isto como cartões de memória

Este tema vive de números e definições, por isso os testes temáticos funcionam como cartões de memória: repete-os até o 3500/9, o 4 → 2 em 2 → anual e o 30/100 saírem sem hesitação. As perguntas com imagem são raras aqui; a dificuldade está nos enunciados quase iguais em que só muda uma palavra, por isso lê até ao fim antes de responder.

Exemplos do exame

  1. Imagem da pergunta de exame do IMT

    1.Considera-se que existem condições de má visibilidade para a condução:

    • Sempre que haja um elevado número de veículos em circulação.
    • Resposta certa: Sempre que o condutor não aviste a via de trânsito numa extensão e largura de, pelo menos, 50 metros.
    • Sempre que o veículo não tenha realizado a inspeção periódica.

    A visibilidade é insuficiente quando não consegues ver a faixa de rodagem em toda a largura numa extensão de pelo menos 50 m (art. 19.º do Código da Estrada).

  2. Imagem da pergunta de exame do IMT

    2.Quando um condutor verificar que o seu veículo produz demasiado fumo, deve reparar a anomalia:

    • Resposta certa: O mais rapidamente possível.
    • Só no caso dos fumos serem negros.
    • Somente antes de se apresentar à próxima inspeção periódica obrigatória.

    Fumo a mais é sinal de avaria no motor e polui o ar.

  3. Imagem da pergunta de exame do IMT

    3.Estou obrigado a prestar auxílio em caso de acidente?

    • Não.
    • Sim, exceto nos casos em que não tenha sido interveniente no acidente.
    • Resposta certa: Sim, sempre.

    Qualquer utente da via está obrigado a prestar auxílio em caso de acidente, mesmo não sendo interveniente.

Já percebeste a matéria?

Testa este tema com perguntas reais de exame e vê o que já dominas.

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Queres ver primeiro como o tema sai na prova? Estão aqui as perguntas do exame sobre este tema, com a resposta certa e a explicação de cada uma.